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No mês de abril tivemos a honra de recebermos o Prof. Davi Zimerman no Simpesp. Na ocasião ele falou sobre O MOMENTO ATUAL DAS PSICOTERAPIAS PSICANALÍTICAS. Comentou que a essência dos ensinamentos de Freud está conservada, mas com inúmeras modificações na prática. Propõe que encaremos o momento atual como o da aurora, momento de integrar os opostos de noite e dia.
Lembrou o início do seu trabalho com a hipnose e a descoberta importante daí derivada, de que “existia um mandamento no fundo da mente”, algo ficou lá por dentro dando ordem. Dentro deste cenário surge o superego, como uma censura interna fruto dos personagens que vão ficando incorporados no nosso interior, mas que tem um lado bom. Propõe uma nova metáfora, a do iceberg, onde a parte visível é o consciente e a grande parte submersa é o inconsciente, as zonas ocultas da mente, onde “os titanics se espatifam”.
Zimmerman recomenda guardar esta regrinha – tudo o que é bom, porém em sendo demais, já deixa de ser bom, já entra no campo da patologia. Isto vale para o narcisismo, antes visto como negativo e hoje como necessário no sentido de orgulho pelo que realizamos. O mesmo acontece com a inveja que empurra a pessoa para a realização, estimula a vontade de ser igual. Até mesmo a percepção do amor maternal passou por revisões a partir da Psicanálise, uma vez que se reconhece o malefício trazido pelo excesso, provocando uma infantilização do filho e o risco de torná-lo impotente frente aos desafios da vida.
Um outro ponto levantado é a questão da “má fama da Psicanálise”. Zimerman propõe desmistifica-la. Explicar ao paciente que existe um inconsciente cheio de escuridão a que ele não tem acesso e a nossa proposta de botar um pouco de luz na obscuridade na mente. In = dentro de sight = luminosidade luminosidade dentro de.
Fala também da grande descoberta de Freud sobre o papel dos sonhos como mensagens em código de tudo o que se passa no inconsciente. Alerta para o cuidado com interpretações mais estereotipadas dos símbolos e propõe que sempre é preciso ver o que a pessoa quer dizer ou associar com uma imagem que aparece no sonho: “A coisa é o contexto – é conversar com o paciente.”
Zimerman fala que Freud está em parte está superado, porque não saiu do Édipo. Reconhece que ele foi até camadas mais primitivas, incluindo o conceito de narcisismo, mas não há como negar que a cultura e os valores mudaram. Recorre à metáfora de uma árvore que tem raízes fortemente plantadas no chão e que formam um tronco, que dá galhos, ramos, que, por sua vez dão folhas, e flores, que deixam cair novas sementes. Os ramos representam as novas escolas, que lançam as sementes dos futuros.
Zimerman fala de 7 correntes psicanalíticas:
1. Escola de Freud, que trabalha basicamente a repressão e a proposta de trazer para o consciente o que está preso no inconsciente por ser desprazeroso, como se fosse “socar no fundo do poço o que não é agradável”.
2. Escola da teoria das relações objetais – Melanie Klein, Ferber. Objetos são pessoas que entram pra dentro da gente, podem ser boas ou más. Klein falda de uma inveja primária (inveja do seio da mãe). Os fatos que são penosos, que a criança quer negar, ela dissocia, como se despedaçasse e projeta no outro, o que Klein denomina identificação projetiva.
3. Escola da Psicologia do Ego, que começou com Hartmann e que aborda as funções da mente – atenção, concentração, pensamento, juízo crítico.
4. Escola da psicologia do Self de Hans Kohut;
5. Escola estruturalista francesa de Jacques Lacan, que propõe um tempo da castração simbólica que interfere no tempo de sessão. Zimerman diz aprendeu em Lacan que o inconsciente não é só fonte de pulsões e repressões e que o discurso dos pais, o desejo dos pais vai entrando no inconsciente da criança.
6. Winnicott
7. Bion - entrou com o conceito de contemporaneidade. Fala de um campo analítico, onde analista e paciente estão se influenciando reciprocamente, interagindo: “2 pessoas igualmente angustiadas, porém espera-se que uma menos que a outra.”
Zimerman fala que a Psicanálise tem 3 gênios, que trazem um novo paradigma: Freud (foi inventar que a criança tinha fantasias sexuais); Klein, que recuou no tempo e percebeu que desde recém-nascidas já tinha fantasia e reações e Bion com a idéia de campo analítico.
Fala da análise contemporânea e do processo de avaliação mútua. 1º a comunicação, a entrevista inicial para equacionar as coisas É preciso avaliar a reserva de capacidades positivas.Lembra de que existe uma criança dentro de si não está dando conta do projeto adulto. Soterrado sob uma massa de neurose, psicose, existe uma criança que quer ter o direito de nascer e viver. Revê conceitos que antes eram vistos como negativos: a contratransferência, também tem seu lado positivo, bem como os actings, atualmente entendidos como tendo valor semelhante ao sonho.
Na Psicanálise contemporânea temos o pensar. Ora pensa contra o pensamento do outro (histérico), o passivo que não pensa. Oram pensam patinando em torno do mesmo lugar (obsessivos), ora pensa evitando (fóbicos), pensa orbitando o próprio umbigo (narcisista). Ajudar o paciente a saber pensar – é juntar pedaço com outro pedaço. Isto forma um setting, a partir da figura do analista que vai além das interpretações. É um momento sagrado para o paciente, um espaço onde vai poder reproduzir as experiências mal resolvidas
Finalmente fala da patologia do vazio, onde existem carências, temos que suprir complementar, preencher vazios. A análise é um momento sagrado para o paciente, um espaço onde vai poder reproduzir as experiências mal resolvidas. Hoje a transferência é vista como uma necessidade de repetição, onde o paciente mostra as carências dele.
Para finalizar, alinha-se mais uma vez com Bion, chamando de crescimento mental o resultado da análise. Opta por falar em término de uma análise, mas não cura, pois a vida continua mudando e trazendo outros contornos
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