A doença como autopunição

Claudia Sampaio

Psicanalista e Pedagoga


De acordo com as concepções freudianas, a doença pode ser usada como um meio de autopunição, com o objetivo de aliviar a culpa.

A culpa é introjetada no sujeito desde a infância, pelo temor da autoridade externa, e está presente na cultura de todos os tempos.

Além disso, a doença também traz ganhos secundários, como a proteção e a atenção. Segundo Freud: “A doença pode ser usada como uma proteção – para desculpar a incapacidade para o trabalho, ou entre competidores ou na vida familiar, como um meio para forçar sacrifícios e demonstrações de afeto de parte dos outros ou para impor a própria vontade sobre eles” (1909 pg.198).


Desta forma, podemos supor que a doença tem início no plano inconsciente, ela é gerada como punição e é a expressão de um desejo do sujeito por afeto ou por uma necessidade de fazer com que os outros façam suas vontades, assim como é uma proteção que evita que o sujeito se exponha a situações indesejáveis como, por exemplo, o trabalho e a competitividade.

É certo que a grande maioria das pessoas rejeita esta ideia e não compreende conscientemente como pode haver alguma vantagem em adoecer, assim o doente jamais percebe a conexão entre doença e seus desejos inconscientes. Nesse caso, o consciente assume uma posição de negação, enquanto o inconsciente busca a realização de desejos.

A existência do inconsciente pode ser comprovada pelo fenômeno da memória (só temos consciência momentânea de parte muito pequena de nossas lembranças), pelo do hábito (agimos sem termos consciência disso, repetimos comportamentos e ações sem saber porquê), e também nos sonhos, onde nossos desejos reprimidos exprimem-se espontaneamente. O inconsciente também pode se manifestar através de sintomas. Do ponto de vista da psicanálise freudiana, psíquicos e somáticos atuam conjuntamente.


Referências bibliográficas

FREUD, S. Duas histórias clínicas (o “Pequeno Hans” e o “Homem dos ratos”). Vol X Edição Standard brasileira das obras psicológicas completas. Rio de Janeiro: Imago, 1980

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