Como provar a Existência do Inconsciente?

Cláudia Sampaio

Psicanalista e Pedagoga


Na teoria e prática psicanalítica a existência do inconsciente é fundamental. Na perspectiva psicanalítica, fatos psíquicos não percebidos pela consciência continuam existindo no inconsciente. Estes fatos inconscientes influenciam a vida e, consequentemente, a atividade mental do sujeito.

Então como se pode provar a existência do inconsciente?

Pois então; aquilo que esquecemos, o nome que trocamos, os sonhos que temos, sintomas físicos inexplicáveis, produções artísticas são provas de que existe algo além da consciência.


O tema é muito extenso e para o propósito desse artigo trataremos brevemente apenas de um aspecto: o famoso ato falho.

Atos falhos são um bom exemplo da ação do inconsciente em nossa vida consciente. Para demonstrar vamos ver exemplos simples dos três tipos de ato falho:


1) Atos falhos na linguagem (fala escrita, leitura) - Exemplo: Se alguém diz "'Não me peça para fazer isto porque vou esquecer!'", já está determinado na fala que a pessoa não tem a menor intenção de fazer o que foi pedido. A pessoa apenas não confessa seu desejo inconsciente de não fazer.


2) Atos falhos de esquecimento (falha na memória) - Exemplo: Quando esquecemos de ligar para alguém. O esquecimento é um erro, mas se formos investigar a fundo a causa do esquecimento, veremos que seria como se “uma parte” de nós não quisesse realmente ligar por algum motivo.


3) Ato falho de comportamento (cair, quebrar, derrubar, tropeçar, etc), enfim, perturbações do controle motor - Exemplo: No capítulo VIII da Psicopatologia, Freud demonstra um ato falho dele próprio. Ele conta que quando visitava pacientes a domicílio, chegando a algumas casas ele tirava do bolso a chave da própria casa. Ele deveria apenas bater ou tocar a campainha numa casa que não era a dele. Então Freud observou: “Era equivalente ao pensamento: ‘Aqui me sinto em casa’, pois só ocorria em lugares onde eu me havia afeiçoado ao doente” (É óbvio que não toco a campainha da minha própria casa).”


Por isso, o ato falho é um erro, mas também um acerto do ponto de vista do desejo inconsciente; é uma expressão do nosso inconsciente.

Então trate de conhecer o seu inconsciente o quanto antes.

Referências Bibliográficas:

FREUD, Sigmund. A Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901) Vol VI. Obras Psicológicas Completas.Edição Standard Brasileira – versão eletrônica, Rio de Janeiro: IMAGO1988.

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